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Os Caminhos de uma Escritora - Review
Os Caminhos de uma Escritora - Review

 Esperando a primavera...

 

OS CAMINHOS DE UMA ESCRITORA – REVIEW

 

Quanta diferença!  Há um ano eu transitava em um caminho planejado, que era determinado em ações conjuntas.  Até me “achava” uma princesa.

 

As cortinas começaram a se abrir, a princípio, lentamente, quando fiquei, por várias semanas, sem poder acessar a internet (roubo dos cabos na via pública).  Foi uma sensação de prazer, que não identifiquei de imediato. Mas já era o prazer da liberdade... “sem lenço e sem documento”... como em “Alegria, Alegria”, do Caetano Veloso. E quando a operadora finalmente compareceu para ligar a internet, eu ainda fiquei dois dias sem vontade de acessar. Eu sabia que perderia alguma coisa... E não conseguia identificar os sinais.

 

Voltei para minhas atividades virtuais e a vida foi seguindo o curso determinado...  Achei que poderia voltar a escrever, pois estava morando num local paradisíaco, com muito verde, pássaros cantando e o silêncio que eu desejava...   Apenas “achismo”!  Muito calor no mês de dezembro, a imensa quantidade de verde trazia visitantes indesejáveis, aranhas de longas pernas, que viviam fazendo teias em todo canto e no meio também; e mosquitos, muitos, que ficavam curtindo a breve vida no meu gramado... até eu passar e “inhac”.  Meu sangue, minhas pernas embolotadas... sou alérgica à substância anticoagulante que eles injetam antes de sugar o sangue... Dia e noite preocupada com os micro vampiros...

 

Uma grande insatisfação instalou-se na minha alma.  Eu precisava de emoções, de perigosas emoções... Escrever já não tinha importância, eu me sentia vazia e ao mesmo tempo repleta de contraditórios sentimentos e sensações que gritavam dentro de mim... Liberdade para existir e compartilhar. E eu fui em busca do que me faria encontrar a verdade sobre mim. E mergulhei num universo repleto de enigmas, com uma essência pura e dolorosa...

 

Lembrei então de uma frase que li no Facebook: “Apesar de a gente saber que o amor acaba, que o amor talvez nem seja pelo outro, mas apenas uma projeção do amor que a gente tem por nós mesmos... continuamos amando”. E... ajudou a equilibrar os pensamentos.  Mas... cometi outros erros e faltou confiança... a confiança é fundamental para o equilíbrio de qualquer sentimento.  Perguntar primeiro e depois, só depois, condenar, se for culpado!

 

Lutei em guerras que não eram minhas... Duelei com falsos inimigos e a angústia foi crescendo no meu peito... E o falso algoz me mostrou a verdade, a verdade no reflexo do espelho.  Comecei a ver que a minha vida estava distorcida, disforme... não era nada daquilo que eu queria para mim... Estava sufocando.  Houve outro momento, em que fiquei em off por uma semana e quando retornei, havia se “criado” uma situação extremamente estressante, que foi a gota que faltava para uma revisão final de todos nós.

 

Eu, uma romântica rebelde, com o pensamento totalmente diferente do grupo em que estava inserida... E a ruptura seria inevitável... e aconteceu.  Estava fora do contexto e nem sei como se manteve por um ano.  Com assuntos ou debates polêmicos é que se pode determinar a qual grupo pertencemos, ou a nenhum.  Outra consideração é que você não pode dizer que não gosta de jiló e continuar comprando... Então, mudar é preciso e todos reiniciam uma vida nova. 

 

Estou com uma indescritível sensação de liberdade... de volta ao caminho, do qual nunca deveria ter me desviado.  Quando eu mergulhei inteira na poesia e passei a sentir o cheiro do mar ao olhar uma imagem, a ver a beleza na teia das aranhas, ou a bater de “cara” nos postes da via pública, com os olhos voltados para o belo cenário do céu azul, eu compreendi que estava de volta em mim.  Aí só precisei colocar tudo no lugar, desculpar-me com os falsos inimigos e seguir adiante.

 

Estive lendo o comentário do meu amigo Diego Brum (que está perdidamente apaixonado e feliz) em uma homenagem que recebi do poeta Osny Alves, que dizia o seguinte sobre mim:

 “Ser escritor é uma maneira de viver a vida, é uma forma única de descobrirmos a essência das coisas e das pessoas, às vezes percebemos que através da escrita, projetamos o nosso reflexo nos outros, e projetamos em nós aquilo que as pessoas possuem de belo. A tua alma é bela, mas bela de uma forma única, e através da escrita, tu demonstras a tua própria essência, a tua própria forma de sentir a tua própria vida fluindo através do tempo, e é isso que conquista as pessoas, a maneira como tu és, nunca deixando de ser autentica, e é essa autenticidade que tu empregas na tua alma, que faz tu seres a Nell que todos nós admiramos, um grande abraço, e sigas com o coração nos caminhos dos teus sonhos...”

 

A maneira como eu estava vivendo não me fazia feliz, pelo contrário, nem escrever eu conseguia... estava secando, como uma planta ao sol no verão.

 

Voltei ao meu caminho e estou reformulando tudo... Diminuindo a atividade na internet, porque “escrever é o meu ofício...”. E sou uma plebeia romântica e rebelde... Apaixonada pela vida simples, pela primavera vestida de margaridas...

Nell Morato

25/8/2015