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Eu Também!
Eu Também!

EU TAMBÉM!

 

A atriz Fernanda Torres teve a coragem de comentar em sua coluna na Folha (25/09/2015) que a menopausa havia chegado, anunciando-se com as cornetas da insônia e das ondas de calor.  “Temo tocar no assunto e virar porta-voz de um fenômeno vivido em sigilo pela maioria absoluta das mulheres”, escreveu.  Ela sabia que estava mexendo num vespeiro e estou fazendo exatamente o que ela tentou evitar, mas seu gesto abriu precedentes para mulheres menos notórias dizerem:  eu também!

Nascer com útero e ovário é ser apresentada desde a puberdade à arbitrariedade dos hormônios que fazem do corpo um relógio, um calendário.  Somos regidas por uma sucessão de eventos tanto previsíveis quanto mutantes, tão infalíveis quanto inquietantes em sua ausência.  Mensalmente, temos que nos posicionar frente à fertilidade.  A cada aniversário, o dilema da maternidade se renova, levando em conta que ela é datada.  É uma negociação tensa na qual os desejos e o organismo jogam cada um com sua mão de cartas.  Na meia-idade, a temida decadência do corpo que lota academias, consultórios de plásticos e dermatologistas, aparecem junto com o fantasma de deixar de ser mulher.  Por isso todas envergonham-se silenciosa e solitariamente.  Fernanda se “surpreende o quanto a menopausa se mantém velada, secreta”.

Conheço bem esses sentimentos, vivo com eles discretamente há alguns anos.  Passamos a noite no balé das cobertas, num strip-tease de arrebato, mais ansioso que sensual, sendo despertadas por um cérebro sacana quando caímos em sono profundo.  O rendimento baixa, o sutiã aperta e temos ataque de comer doce, justo quando engordamos até com chuchu.

Há formas químicas de amenizar esses contratempos, além das vantagens de uma vida saudável, que melhora sensivelmente o quadro.  Mas não viraremos atletas e ascetas, com um sorriso nos lábios, só porque a menopausa aconteceu.  Os vaticínios então são os piores:  anuncia-se o ressecamento de tudo e principalmente do desejo sexual.  Não é o que dizem as mais corajosas, dispostas a reconhecer seus desejos livres da pressão social do crescei e multiplicai-vos.

Aos homens maduros, tem sido dada a opção de sair dessa uivando, lobos encanecidos.  Movidos à pílula azul da ereção eterna, saem em busca da jovem caça que lhes devolva a jovialidade.  Para as mulheres, parece que o jogo acabou a não ser que se fantasiem de igualmente patéticas Barbies estorricadas.  Ao contrário, é a hora de seguir em frente, aproveitando que junto às golfadas de calor costuma vir uma onda de liberdade.  Algumas rodadas da vida, bem ou mal, já foram jogadas e algo, bem ou mal, se aprendeu.  Ainda somos suficientemente jovens para novas aventuras e já, espera-se, menos ingênuas e fantasiosas.  Podemos dar umas gargalhadas juntas, enquanto nos abanamos.

 

Fonte:  ZeroHora/Diana Lichtenstein Corso/Psicanalista (dianamcorso@gmail.com) em 11/10/2015